Sobre.
O meu avô era um homem simples, humilde, carinhoso e com um coração onde cabia o mundo. Foi barbeiro na Barbearia da Ribeira quase toda a vida, aprendeu tudo o que sabia naquele espaço, daquelas pessoas. Infelizmente só tenho memórias dele de cadeira de rodas, mas sempre a fazer a barba ao pessoal lá da terra e a dar o jeitinho no cabelo a quem ainda o tinha. Foi com ele que senti os primeiros cheiros de uma barbearia, foi com ele que aprendi que uma profissão pode ser bem mais do que apenas uma fonte de rendimento. Mesmo de cadeira de rodas, sempre o vi de volta de algum cliente a fazer o que fazia melhor. Entre risadas e conversas, punha em prática a frase que mais me lembra dele "depressa e bem, não há quem". Infelizmente deixou-nos demasiado cedo, sedentos de mais um beijo ou um abraço, ou de uma simples despedida... Não posso dizer que sempre quis ser barbeiro desde pequeno, mas no momento em que mais me senti perdido na vida, sei que foi ele que me guiou no caminho certo. E hoje estou aqui.
Em memória de Luís da Conceição Lopes, o melhor barbeiro do mundo.

